Hoje tropecei num post, de Setembro de 2025, que escrevi num outro blog, normalmente bem mais descontraído que este (e antigo também).
O Post era sobre este livro:
(a quem possa interessar: https://mafalda-pelo-mundo.blogspot.com/2025/09/boas-leituras-e-o-fascinio-por-graficos.html)
Este livro demonstra (e prova cada facto que expõe com
dados), como a nossa visão do mundo é toldada e enviesada por um conjunto de
vieses cognitivos (‘cognitive bias’, um conceito que já conhecia do curso de
economia), levando a uma menor capacidade de entender os factos do mundo e em
especial a sua evolução.
O livro ilustra drasticamente bem o facto de que temos de
nos basear em dados, em factos reais, nas tendências e naquilo que apenas os
dados nos dão a certeza de ser certo, para prever e melhor decidir HOJE.
Outro exemplo de como os nossos vieses cognitivos podem nos
“enganar” aconteceu-me há anos, em contexto profissional. Sempre gostei de
estar envolvida nas fases iniciais de definição das soluções e isso levava-me a
algumas discussões com equipas de Design e User experience e Analistas
Funcionais. Todos temos a tendência para achar que somos o “user típico” ou
dito de outra forma, como se fossemos “estatisticamente relevantes” no contexto
do cidadão. Não somos! Aprendi isso cedo! Quando tomei decisões de definição de
soluções, achando que estava a fazer o melhor para os utilizadores. Apesar de
serem normalmente casos em que eu também me incluía nos possíveis utilizadores,
descobri que o que para mim era mais intuitivo ou uma melhor experiência não o
era para a maioria dos utilizadores (quiçá para quase ninguém).
Voltar a este post e a este livro, permitiu-me perceber o
porquê de hoje “lutar” por que as decisões sejam baseadas em dados, em
algoritmos preditivos que não nos deixem cair por exemplo no viés da linha reta
(eu juro que não tenho qualquer comissão, mas vão ter de ler o livro) e na
importância da experimentação e da criação de hipóteses e análises de impacto.
Isto aplicado ao setor da administração pública é quase um
monte Evereste, mas que dá vontade de subir, perder pontas de dedos pelo
caminho, porque a visão lá de cima vai ser tão espetacular…!!!
Portanto "só" temos de:
- Descobrir onde estão os dados (por aí espalhados, como quem vai comprar o material de escalada, sem lista e sem saber bem quando ela termina);
- Juntar os dados em nomenclaturas standard e estruturas que façam sentido e sejam escaláveis (como quem revê a lista de mantimentos e equipamentos antes da escalada, analisa mapas e leva coisas “tudo-em-um”);
- Fazer a curadoria dos dados e afinar as ligações entre eles (como quem inicia a escalada e rapidamente cai em pensamentos de “como é que eu vou conseguir acabar isto, se só esta primeira parte é tão dolorosa?”);
- Criar modelos preditivos que permitam visualizar a evolução na linha do tempo e avaliar impactos em indicadores quando manipulamos uma variável (aqui começamos a ter esperança, a escalada começa a ser mais ágil e o objetivo mais visualizável);
- Criar as hipóteses e avaliar o impacto (…e finalmente, tudo é tão claro, que a experiência fica, mas quase se esquece tudo o que correu mal e podia ter corrido ainda pior).
Tudo isto num ambiente digital, que fomenta a experimentação,
mas que ao mesmo tempo é baseada em dados e nos efeitos de causa e efeito.
Como seria incrível avaliar a evolução da taxa de natalidade
no último ano em determinada geografia e perceber se em 4 a 5 anos temos
capacidade para oferecer educação pré-escolar a estes bebés? Ou avaliar a
evolução da concentração populacional para perceber onde devo contruir um
hospital, aprovar uma clinica ou investir no saneamento e eletrificação?
Para já não falar, o quão mais claro fica na nossa mente a
evolução recente do mundo e a capacitação que ler este livro nos permite
(porque tendo a consciência das nossas limitações e vieses naturais, faz toda a
diferença) na forma como lêmos o mundo e reagimos ao que acontece!
Há quem me diga que sou uma otimista incurável! Eu só acho
que fizemos e fazemos coisas tão fantásticas, que aplicar as possibilidades à
evolução conjunta e a propósitos maiores que qualquer um de nós, pode-nos
elevar a patamares bem melhores (ainda que o nosso instinto será sempre ver o
copo meio vazio).
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